Lúcia Helena???
 
Nasci numa quinta-feira, aguardando pelo fim-de semana...
pra poder dormir até o meio-dia...
pra ficar em casa sem fazer nada...
pra poder sair à noite sem culpa...

Fui uma criança velha, que sabia palavras demais,
e apesar de aprender a falar tarde, compensei isso com longos diálogos sobre assuntos que não me diziam respeito...

Adolesci com mais compromissos do que deveria...
Minhas obrigações não se limitavam a escola e MTV,
e talvez, por isso, eu era uma chata.

E eu continuo chata.
Mas acho que a vida anda me dando novas chances.

Continuo implicante, mas mais amorosa.
Continuo exigente, mas aprendendo a relevar.
Lutando para não mudar aquilo que me é mais caro:
o ser intensa,
o ser urgente,
o ser autêntica,
o ser sincera.

Tenho um ponto-de-vista sobre quase tudo:
social-democrata, tucana, pós-tribulacionista, amilenista, arminiana moderada, criacionista progressiva, batista, contra pena de morte, contra o aborto, a favor da descriminização do aborto, doadora de órgãos e tecidos, contra a súmula vinculante e a relativização da coisa julgada, super a favor da adoção, contra aliança de compromisso e com dificuldade de compromissos em geral, acho que bota branca é pra paquita, sapato e sandália branca para médica ou noiva, e só pra elas! Tenho minhas considerações anti-americanas. Nacionalista ao extremo. Apaixonada por todos os tipos de música feita por gente e instrumentos. Me dê um assunto: eu te dou minha opinião!

Mas não me pergunte sobre o futuro...
não me fale de sentimentos...
não me venha discutir o amor!
sobre isso, não. Eu não tenho opinião.
 

   

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    Peraí...

    Certas coisas eu não sei dizer..



    Quanto tempo e distância dura um amor???

    o meu...

    bem, esse acho que não consegue acabar...

    Mas pra mim, sempre será aquele sorriso de bebê...

    Feliz Aniversário.

    Esses 9 e os próximos 90.



    Escrito por Lucia Capela às 19h26
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    Finais de Semana...

    Ok, ok. Já está no meio da semana, mas e dai??? Agora que eu recebi fotos, e agora que eu quis falar do assunto...

    Foram dois finais de semana seguidos, muito diferentes um do outro...

    O primeiro, casamento de amigos queridos, carro quebrado, amiga doente, madrinha passando mal no altar (que não era a amiga doente), com direito até mesmo a estar com um vestido igual a outra madrinha, que por acaso, era tia, ou seja, não bastasse a cara e o quadril, o vestido também era igual... Baladinha básica na festa, muito boa mesmo, e ida ao culto de domingo a noite depois de eras...

    Apesar dos problemas, foram bons dias... Grandes e Largos...

    Assim como o amor de Deus, era como eu me sentia, grande e larga...

    Mas toda a felicidade do mundo inteiro aos amigos queridos que ainda acreditam na instituição...

    Enfim, passa uma semana, perdemos 7 dias, e lá estamos de novo, numa rotina diferente.

    Mas agora não é cabelereira, maquiagem e sapato prata l-u-x-o. É moleton, tênis, muito mosquito e um calor absurdo. Viagem missionária.

    Não eu não queria ir. Não, não foi perda de tempo. Não, não foi a melhor que eu já tenha feito. Enfim, valeu pela hospitalidade do povo, o melhor bolo de banana do mundo (porque gordo sempre vai se ater aos detalhes culinários), e a visita a um quilombo, coisa que a gente só vê nos livros de história, mas eles existem e tem campeonato de futebol feminino!!!

    Cansou pela viagem e pela reclamação. Cara, tem gente que reclama demais, e isso, sem dúvida cansa mais que qualquer colchão fino e noite mal dormida...

    O problema todo, meeesmo foi perder o aniversário do Mab, que tenha sido bom ou ruim, meu coração tava lá, então é muito complicado não poder ter estado...

    E ter perdido esses sorrisos...



    Escrito por Lucia Capela às 14h25
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    Saindo do furacão.

    E ai a gente descobre que talvez, só talvez, seja melhor a gente não se ocupar tanto com os problemas dos outros. Mas não tem jeito, os problemas dos outros são nossos.

    E ai a gente descobre que talvez, só talvez, pudesse ter evitado o pior, se fosse um pouco mais curiosa e mais cara-de-pau pra se meter na vida dos outros.

    E ai a gente descobre que talvez, só talvez, as pessoas envelheçam mas não amadureçam, e reajam as situações com uma disposição infantil que nos derruba, e ainda que haja justificativa, dá vontade de dar uns tapas.

    E ai a gente descobre que talvez, só talvez, pessoas que não passam por sofrimento são pessoas extremamente despreparadas para a vida, e com reações infantis pra situações de adultos, e a gente sente pena delas, porque afinal, a dor é a água que o oleiro precisa pra amolecer o barro e fazer o vaso como Ele quer. E quem não sofre, bem, talvez, só talvez, não tenha pra si grandes planos firmados na Eternidade.

    E ai a gente descobre que não talvez, mas na real, na medida em que julgarmos, nós também seremos julgados. Por isso eu sempre quero julgar pro melhor, porque eu sou covarde e não quero nada pesando sobre mim por conta disso.

    E ai a gente descobre que não talvez, só fica no olho do furacão quem quer. Eu to fora. Mas não ponha amigo meu, nem gente que eu amo, porque senão... bem... não há furacão que mes segure.



    Escrito por Lucia Capela às 10h57
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    No olho do furacão.

    E ai vc tem um fim de semana abençoado, muito bom mesmo, como há tempos não é.

    E vc volta pra casa e o capeta apronta das suas. Algo terrível, coisa do capeta mesmo.

    E parece que nem é terça-feira e só faz dois dias do fds maravilhoso... parece que já foi há um mês, e tá tudo muito pesado. E vc tem que resolver. E precisa de sabedoria que nem mesmo tem. Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar, sabe lá????

    Precisando de, no mínimo, um kilo de chocolate pra enfrentar tudo isso.

    Porque crescer não é fácil. E eu sempre soube disso. E eu nunca quis. Mas não há escolha.



    Escrito por Lucia Capela às 17h14
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    Trinta.

     

    E um coração de menino, cheio de amor e de vontade de acreditar.

     

    E o sonho do espírito inabalável, que também me fez sonhar.

     

    Poucas palavras hoje, mas saudade absurda. Amor incondicional.

     

    Feliz Aniversário.



    Escrito por Lucia Capela às 10h06
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    Um ano depois...

    Domingo fez um ano que eu me mudei, e mudar não foi simplesmente alterar o endereço de correspondência, muitas coisas mudaram na minha vida, umas pra melhor, outras nem tanto, mas um ano mais velha é necessário fazer um inventário e ver quantas coisas importantes aconteceram...

    1. EU NÃO MORO MAIS SOZINHA.

    Sem dúvida, essa é a mais significativa das mudanças. Depois de seis anos inteiros morando sozinha e já acostumada a solitude, dividir não foi só um ato de amor, mas um exercício diário.

    Porque quando a gente mora sozinha a gente cria manias, muitas manias. E quando a gente divide o espaço, temos que conter as manias, a impaciência, aprender a relevar coisas que não são realmente importantes, falar com jeitinho aquilo que incomoda a gente...

    Não é fácil. A vantagem foi dividir a casa com gente tão amada e tão importante na minha vida. Daquelas que eu sempre orei pra que Deus me permitisse ajudar... pois é... chegou a hora.

    Mas a verdade é que eles me ajudam muito mais do que eu a eles. Não estar sozinha é benção. Ter que ligar pra avisar que vai chegar tarde, ou ouvir o telefone tocar perguntando se está tudo bem quando vc demora mais que o normal é, sem dúvida, algo a que eu não estava mais acostumada, mas que é muito legal.

    Éramos dois até um mês atrás, e agora somos três. Quem dera eu tivesse mais espaço pra acomodá-los melhor, e para quem sabe, sermos mais.

    Ultimamente tenho tomado consciência de que a casa não é só minha e eu tenho que parar de espalhar minhas coisas por todos os cantos dela. Isso é mudança, como disse, mais do que de endereço.

    Emocionalmente tem me feito muito bem. É evidente que conviver com gente que toma remédio ajuda muito, mas o fato de ter gente por perto ainda faz mais efeito que os remédios...

    Fora chegar em casa de vez em quando com a comida pronta... a cozinha limpa... ah... isso não tem preço!!!!

    Agora eu posso entender o pregador quando diz que é melhor serem dois... e isso independe de casamento ou de paixão. Tem a ver com a vida. E amizade também é uma forma de amar...

    2. EU NÃO DEPENDO DE CONDUÇÃO PRA IR TRABALHAR.

    Antes era, no mínimo e na melhor das hipóteses, uma hora até o trabalho. De ônibus, fretado, trem, metrô ou carro. Não importava, era sempre muito tempo.

    Agora são cerca de vinte minutos andando num passo muito, muito lento, que é pra não chegar suada... =o)

    E passar em cima da 23 e ver o trânsito todo, e eu chegando em casa, sem preocupação, sem desgaste... Ah... não tem preço!!!

    3. NÃO FAÇO MAIS EXERCÍCIOS

    Tudo bem, vou e volto do trabalho a pé, mas isso nem sempre, porque vcs sabem, eu não pago ônibus, então às vezes eu pego uma carona.

    Mas em Mogi eu tinha personal que ia em casa duas vezes na semana e me obrigava a fazer exercícios. Um bom amigo também, servo de Deus. Enfim, depois da mudança sequer a esteira eu liguei...

    Quer dizer, eu liguei uma vez.

    E olha que foi o maior problema pra trazê-la, mudar uma tomada para 220v, conseguir alguém pra trazer, e ela tá lá, por muito tempo servindo de cabideiro pro Nenê...

    Agora ela mudou de lugar porque tava atrapalhando, em breve, muito breve, vai virar doação, ou comodato na casa de alguém com mais espaço...

    4. EU PAREI DE ENGORDAR

    Apesar de parecer estranho, já que eu não faço mais exercícios, eu também parei de engordar. Isso eu atribuo a alguns fatores:

    Eu parei de comer um monte de bobagens a noite (em especial mcdonalds quase diário), pq eu saia muito tarde do serviço, tipo 20, 21h, ai ia pra casa e comia alguma coisa no caminho pra poder chegar e já ir dormir, então imagina... não havia jeito de não engordar.

    Eu tenho vigilância constante. Agora eu não me sinto bem comprando tanta bobagem, pq sempre ouço: Pra que tudo isso??? Eu faço uma comida decente pra vc!!! Diante disso, eu como escondido às vezes, mas na maioria parei mesmo.

    Eu divido as guloseimas. Outro dia, acabando com um pote de Häagen Dazs eu parei na metade pensando: tenho que deixar um pouco pra ele, coitadinho (é uma criança, vcs sabem). Então não comi tudo, o que eu bem faria morando sozinha.

    Eu estou fazendo o tratamento certo. Sem dúvida esse é o motivo mais relevante. Depois de muito tempo descobri que meus hormônios, acompanhando meus neurônios, estão totalmente loucos, e por isso eu ganhava peso sem parar, achando inclusive que eu ia acabar feito a clássica personagem do Dias Gomes que acabou explodindo no fim da novela. Agora tomando os remédios certos, e muito, muito hormônio, eu parei de engordar e meu cabelo também parou de cair, que era outro problema que acompanhava essa disfunção. Em compensação... silicone tá fora de questão, nunca estive tão grande... =o(

    5. NÃO TENHO MAIS CARRO

    É... eu não nasci de roda, então é bom por as pernas pra funcionar... Ele foi vendido, mas se tornou lindos armários da cozinha e do quarto, que me fazem muito feliz, pq são bem bonitos.

    Segundo minha tia Gláucia, não precisava de tanto, já que minha desorganização mantém as coisas fora dele. Enfim, o dia que eu resolver arrumar tudo (e isso já aconteceu antes, acreditem!) eles estão lá, e mantém tudo bem direitinho.

    6. EU TENHO MAIS CONTAS DO QUE JAMAIS SONHEI EM TER NA VIDA.

    Como diria um pastor, eu não tenho contas eu tenho dívidas, sim, di-vida, pq me parece que vão durar a vida toda.

    Além da prestação do apartamento que é bem alta, ainda me enrolei muito na mudança. Fiz muitas coisas, comprei muitas coisas, vcs sabem, eu não casei, não ganhei presentes, então foi tudo por minha conta mesmo. Faz muitos meses que eu não compro nada, não dou presentes e ainda assim elas estão lá... mas tudo bem que até agora mantive meu nome fora do Serasa e SPC e to pagando o que tá dando, uma hora acaba, eu tenho fé.

    Mas é também que antes eu não pagava luz, telefone, condomínio... morar na casa do pai tem suas vantagens. Agora a despesa aumentou, assim como a independência. E sim, independência custa caro.

    7. EU NÃO VOU MAIS NO MERCADO

    Com exceção do mercadinho do lado de casa pra comprar um item ou outro que tá faltando, eu não passo mais pelo martírio que é ir no mercado fazer a chamada compra "de mês". Depois de mais de 15 anos fazendo compra pra casa (sim, eu comecei cedo), desenvolvi um estranho medo de mercado. Na verdade tá mais pra pânico, passo mal, fico com dor, não aguento ficar lá muito tempo.

    Mudar pra São Paulo evitou que eu tivesse que continuar indo no mercado, porque afinal, por aqui o panizucar entrega, então eu entro no site, escolho os itens, e no dia seguinte chega aqui tudo certinho, bonitinho e sem eu ter que ter ido até o mercado.

    Eu amo a tecnologia.

    8. EU DIMINUI MINHAS COMPRAS PELA INTERNET

    Com exceção do mercado e um móvel de vez em quando, eu não compro mais pela internet. Antes eram pelo menos três entregas por mês, de CD, DVD e milhões de coisas.

    Tá certo, eu diminui pq tenho mais contas a pagar e não dá pra ficar gastando com isso.

    Mas também pq não tem portaria 24h como em Mogi, então é um saco pra poder receber. O zelador é mala, e não gosta de receber por mim, então é melhor ir na loja e comprar, e ponto.

    9. EU SEPARO O LIXO RECICLÁVEL.

    Isso realmente mudou minha vida. Hoje eu sou uma pessoa que recicla o lixo. Tudo bem que é bem difícil convencer meus roomates que tem que lavar os potinhos antes de por no lixo, mas ao menos eles sabem por papel no azul, plastico no vermelho, vidro no verde e metal no amarelo. Com exceção das embalagens tetrapak, claro, pq eles insistem que aquilo é plástico e não papel.

    Mas acabou que isso mexeu com tudo na minha vida. Eu não pego mais um monte de sacola no mercado, quanto menos melhor (aquilo é plástico, sabe quanto tempo pra decompor??). Eu prefiro coisas recicláveis. Eu reaproveito o que for possível, eu sinto raiva de gente que não faz nada disso.

    Porque depois que você começa e vê o quanto de lixo reciclável vc, sozinha, produz, percebe que não dá pra simplesmente jogar junto com o orgânico e mandar pro lixão. E pode ter certeza, se vc reclamar do tempo perto de mim e não fizer coleta seletiva do seu lixo, eu vou dizer que a culpa é sua, pq o tempo tá assim pq vc não faz nada!!!! 

    10. EU VEJO MENOS MEUS SOBRINHOS, VOU MENOS NA CASA DA MINHA IRMÃ E MENOS NA IGREJA.

    Isso não são coisas boas, mas antes eu tava por lá, podia pegar a Aninha de vez em quando na escolinha, ver ela no meio da semana. Como morava longe, quando precisava fazer algo em SP me hospedava na casa da minha irmã, então acabava indo mais lá, do que agora que moro mais perto.

    E pelo mesmo motivo, vou menos a igreja. O mundo sabe, Capela é entocado, ou seja, adora sua toca. É difícil pra gente ficar hospedado na casa dos outros, por melhores que elas sejam. Eu prefiro acordar 6, 7 horas da manhã pra ir na igreja no domingo do que ir no sábado e ter que ficar na casa de alguém. É nosso, e isso não foi da mudança, sempre fui assim. Com isso, apesar da igreja na rua da minha casa, sou membro lá longe, e lá longe eu não vou tanto assim não...

    11. EU TENHO UMA CAMA GRANDE!!!!

    Ah... é bobeira??? Mas cara, depois de 30 anos numa cama de solteiro, uma cama de casal é tudo na vida da pessoa, ainda que seja pra dormir sozinha... =o)


     Eu tenho certeza que tem mais coisas... conforme eu lembrar eu posto (que verbo é esse minha santa Cleide???), essas devem ser as mais significativas, porque foram as que eu lembrei de pronto...

    Porque muitas coisas podem mudar em apenas um ano.

     

     



    Escrito por Lucia Capela às 11h36
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    Foco.

    Fotografias tiradas fora de foco com certeza não revelam aquilo que o fotógrafo pretendeu.

    A vida da gente também é assim, e às vezes nós precisamos de foco, porque estamos nos preocupando com coisas tão pequenas, tão sem importância, perdendo o foco do que realmente interessa.

    Ontem eu fui jogada pro foco de volta...

    Depois de um dia tumultuado, com muita discussão e briga no trabalho, por coisas que realmente não deveriam nos ocupar, nervosa, com muita raiva e cansada, um telefonema me trouxe de volta ao que realmente importa.

    Era meu primo-lindo dizendo que não ia pra minha casa no dia seguinte porque nosso tio Darci tinha morrido. A minha pergunta depois disso foi se ele estava doente. Não, não estava. Estava dando aula, passou mal, foi pro hospital, infarto fulminante, e fim.

    Porque não importa com o que vc se ocupe, esse é o fim de todos nós.

    Liguei pra minha irmã, e ela lembrou que a filha dele tem a idade dela, o filho, a idade do meu irmão. Fez a gente pensar no que seria perder o pai. Bem, eu não sei quanto a eles, mas eu não estou preparada pra isso. Tudo bem que meu pai é mais novo, e às vezes eu acho que ele é inclusive mais jovem do que eu, mas a morte é o ser mais democrático do mundo, chega a todos, estando nós preparados pra isso, ou não. E isso é assustador.

    Hoje na página da Convenção Batista Brasileira e da Junta de Missões Nacionais tá o anúncio da morte, e pra esse povo talvez ele seja o Pastor que errou, mas pra mim ele foi minha escola de que somos todos pecadores, e eu me lembro que quando eu soube, num telefonema do meu pai em 98, foi a primeira vez que eu realmente falei de coração aberto: Ele é pecador. Ou seja, nenhum julgamento, nenhuma raiva, nenhuma decepção. Depois disso foi bem mais fácil encarar as falhas dos outros e as minhas, porque sim, a gente erra.

    Também pro povo batista ele é o Professor, Teólogo, Presidente da Ordem dos Pastores, da Convenção, da Visão Mundial, escritor de monte de livros... Pra mim, ele é o Pastor que se vestiu de Papai Noel, mesmo sabendo o quanto isso seria mal visto, pra ajudar os filhos e sobrinhos a encararem o primeiro Natal sem a avó.

    Na verdade, eu não tinha nenhuma relação com ele, primeiro porque ele era mais alto do que o meu pai, então eu tinha medo dele (é algo que eu não explico, mas quando criança tinha medo de qualquer um que fosse mais alto do que o meu pai), e não chegava perto. Tenho uma memória de infância muito antiga de estar na casa dele, minha mãe ainda andava (deve ter sido a um milênio), eles moravam dentro do Seminário do Sul eu acho... mas ele não aparece na lembrança...

    Além disso, a distância que eles sempre moraram, fizeram com que fossem parentes de longe, que vc sabe onde está, até se importa, mas não participa da vida.

    Mesmo assim, quando uma coisa desse tipo e tão repentina acontece, a gente sente. E a gente descobre que a gente ama parentes distantes, e a gente lembra de pequenas coisas, como o fato dele não errar meu nome (porque o mundo me chama de Paula, o nome da irmã-linda), e chamar meu irmão de Juninho, mesmo ele já estando com seus trinta anos passados...

    E lembra que ele pregou no funeral da minha mãe, e me apresentou a Romanos 8, já tão conhecido, mas mais importante naquele momento, dando a certeza de que nada nos poderá separar do amor de Deus em Cristo Jesus.

    E agora ele está com o Pai, enquanto a gente ainda se preocupa com nossas coisinhas pequenas e fica todo o tempo perdendo o foco.

    Porque não é só bala perdida que mata no Rio de Janeiro... O coração também leva alguns...



    Escrito por Lucia Capela às 17h03
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    Dor...

    ai vc fica sabendo que um casal de super-ultra-mega queridos está separado...

    e me faz pensar o que eu faria se um dos casais que eu amadrinhei se separasse... (Bem, basicamente eu daria uma surra nos dois, independentemente dos motivos e inclusive se fosse afilhado de quase dois metros de altura!!)

    Mas a verdade é que não há muito o que fazer, a não ser colocar diante do Pai... Porque eu ainda quero crer que Ele tinha razão quando inventou essa história...

    Ao casal mais lindo e porco do mundo... minhas orações estão com vcs...



    Escrito por Lucia Capela às 17h45
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    O que dizer??

    São sessenta anos... e além das brincadeiras e das palavras incontestes da Lilian (que confesso demorei a entender o enredo), dos posts dos anos passados, eu, que só tenho metade disso pouco poderia dizer...

    É estranho hoje, com 30 pensar no que ele já tinha vivido na minha idade... e no que a vida lhe reservava para os anos seguintes...

    me vejo tão jovem pra tudo isso, e ele encarou de frente, afinal, não havia pra onde fugir nem a quem recorrer.

    O relacionamento nem sempre foi fácil, nossas semelhanças nos afastam. Mas eu sempre aprendi com ele. Com seus acertos e com seus erros. Até seus defeitos me ensinam, a ponto de me fazer são-paulina (o que é bênção, sem dúvida), e me fazer lutar pra não ser o que eu não gosto. Minha tristeza é não conseguir ser tudo o que eu admiro...

    A vida nem sempre foi fácil pra ele, mas Deus o presenteou (e tb a nós) com sessenta anos. Talvez mais do que ele jamais sonhou quando ainda pequeno trabalhava para ajudar a mãe. Por certo com bem mais recursos que ele jamais sonhou no tempo em que recebia o salário e comia um pedaço (sim, uma fatia) de pizza todo contente... Fato este, diga-se, que ele gosta sempre de lembrar a gente, pra não desperdiçar comida.

    Eu sei que ele gostaria que eu aprendesse de verdade as coisas que ele tentou me ensinar, e também as que não tentou... algumas eu aprendi, como não deixar comida no prato (regra que só serve para os filhos, é lógico, porque a Srta. Ana Lúcia pode todas as coisas), numa assembléia me referir à mesa como "Sr. Presidente" e não "ô Joel", dirigir no limite de velocidade (fato quase sempre cumprido)...

    Entre outras coisas, ele me deu o Mab... o mesmo acampamento que ele foi em 1958... e fez parte de nossa história desde 1982. E eu sei que era sacrificado. E eu sei que ele tinha que trabalhar muito pra poder pagar. E eu sei que tinha que ter todo um esquema montado pra ficar com a minha mãe. Mas ao menos uma semana no ano, a gente tinha o acampamento que, sem dúvida, moldou nosso caráter e nossa fé.

    Ele me levou no ginecologista (com ajuda da cunhada é verdade) e comprou meu primeiro sutiã. Vamos combinar, isso não é confortável pra pai nenhum... Mas ele tentava, fazia o que podia... ainda que naquela época eu não entendia direito o quanto era desgastante, e o quanto ele se esforçava, hoje, quando a minha idade se aproxima da que ele tinha à época, eu me compadeço e agradeço.

    Ele não liga se eu ou minha irmã use saia curta (aliás, diga-se, quando eu tinha um peso de gente normal e quando ela era solteira a gente usava mesmo), mas sempre reclama de decotes exagerados (e agora que eu to grande eu adoro!!) e barriga de fora.

    Ele não ora pra eu casar. E de vez enquando implica com algum amigo meu, acha que tem alguma coisa e não trata direito o cara, ou trata com desconfiança... ai depois de um tempo isso passa. Faz um tempão que ele não implica com ninguém, o que é bom (ou mostra que eu não ofereço risco, vai saber...)

    Ele não sabe distinguir se sou eu ou minha irmã no telefone, e eu gosto de responder pra ele, quando ele pergunta quem é, "sua filha", pq assim ele continua sem saber. Sim, eu já me passei por ela falando com ele. Mas não era nada sério, e faz muito tempo...

    Ele me levava todos os dias que estava em casa no colégio, e era muito bom. Ele me chamava e ia buscar pão. E eu dormia de uniforme, pq eu continuava na cama e quando eu ouvia ele por o pão na mesa eu pulava da cama, e quando ele vinha ver se eu tinha levantado, eu dizia: "já tô até pronta!". A única vez que ele bateu o carro na vida por absoluta e total culpa dele, foi me levando pra escola.

    De vez enquando ele me buscava e era bom. A única vez que ele me buscou na faculdade foi muito ruim, e por isso eu sempre tenho uma sensação estranha se ele tá me esperando em algum lugar quando a gente não tinha combinado nada...

    Ele sempre ajuda as pessoas. Uma vez, há uns quinze anos atrás, quando uma empresa pra quem ele pagou um carro 0km todinho faliu, eu perguntei o que ia ser, e ele respondeu: vc passou fome? então, não vai ser nada, nada muda. E eu aprendi que isso era dependência e confiança. E que tudo isso é muito difícil, mas é possível, pq ele não é nenhum superman, e se ele pode viver assim, todo o mundo pode. E pouco tempo depois Deus deu um carro novo pra ele, lindo e grande que eu nunca dirigi pq não tinha idade...

    Teria mais um monte de coisas e histórias, afinal, são sessenta anos, trinta e um dos quais, vividos comigo...

    Mas, entre nossas semelhanças estão as lágrimas fáceis, e já estou cheia delas, é melhor parar.

    São sessenta anos, e eu que achava que ele não mudaria, vejo muitas coisas novas nele, muito, muito importantes, me ensinando, mais uma vez, que a sabedoria acompanha as cãs.

    Ele me surpreendeu nesses últimos tempos ao não implicar com uma decisão que eu tomei e eu tinha certeza que ele falaria um monte, mas não, ele respeitou. Deu seus conselhos, o que é bem-vindo, mas respeitou.

    Ele se perdeu quando veio na minha casa essa semana, o que também mostra mudança, pq quando eu era criança ele era o cara que mais sabia andar em São Paulo no mundo inteiro!!! Pelo menos é o que eu achava...

    Ele senta no chão pra brincar com os netos, e é lindo.

    Ele muda a reunião de diretoria da igreja pq é aniversário da neta, e isso é amor incondicional.

    Ele questiona o muito saber desacompanhado da compaixão, isso é obediência.

    Ele não gosta de ficar discutindo coisas da Bíblia que ele não entende, e isso é fé.

    São sessenta anos. Muito aprendizado no mar de seus olhos.

    E quando eu penso nele, eu só espero que ele possa viver, no mínimo, mais 60 anos.

    8 de maio: Dia do Meu Pai.

    (private joke: repare na primeira pessoa do possessivo)



    Escrito por Lucia Capela às 22h46
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    59 hoje.

    e ainda assim, teria sido cedo demais.



    Escrito por Lucia Capela às 11h14
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